terça-feira, 4 de dezembro de 2012

E o riso escapa!


E o riso escapa!


Utilidade e fruição prazerosa!

 Acho que podemos observar como o espaço das coisas é dividido a partir desses dois lugares. Existe o mundo das coisas úteis, no qual está tudo o que tem um uso prático e serve pra alguma coisa, como artefatos de cozinha, ferramentas de trabalho, de guerra, de pesquisas científicas. No outro lado, existem as coisas da fruição prazerosa, que não teriam utilidade nenhuma, a não ser o prazer que elas nos dão. Não servem para nada. Essa fronteira é muito tênue, pois uma coisa pode transitar entre esses dois mundos. Por exemplo, uma fruta. Para uma nutricionista, ela é útil, ajuda no funcionamento do seu corpo. Mas, eu posso comer a fruta simplesmente pelo sabor, pela fruição.
Lógico que a preferência do nosso mundo "organizado" é pela utilidade. De modo tão exagerado, que até nós, seres humanos, somos coisas de utilidade. Assim, quando ficamos muito velhos, ou não temos capacidade para ser úteis e produzir algo, somos jogados fora, não servimos mais. O mundo da fruição é um mundo banal, alienado, que nos tira do caminho correto. 

E, então, o seres humanos, durantes séculos, vêm tentando encaixar o riso em algum desses lugares. Tentam dominá-lo e impor limites. Diabolizá-lo. Rir se torna proibido. Ou se libera em alguns lugares, mas segundo alguns critérios que definem como se pode rir. Rir não tem utilidade e é pura alienação.

Mas, como lidar com algo tão poderoso e tão desafiador como o riso? Como definir seus limites e suas fronteiras, sendo ele, algo que não diz onde, quando, nem porque irá surgir? Por onde a ordem tentou impor barreiras para o riso, ele vazou por alguma rachadura e se fez mais forte, mostrando o quão ridículo é a própria ordem. Ele cria um novo espaço, um novo tempo e, se impõe sem necessitar de armas, choques, bombas, leis ou nenhuma outra ferramenta de utilidade. 

O riso escapa!


Gabriel Morais - integrante do observatório do Anjos do Picadeiro 11



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