quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

L'Atzar: Humor, inocência e aplausos

O Anjos do Picadeiro abriu na segunda-feira com um grito pela liberdade artística. Leo Bassi defendeu com unhas, dentes e mel um humor mais pesado, por vezes criticando abertamente o que ele chamou de "poesia". Hoje, durante a 2º apresentação internacional do encontro, Pepa Plana fez o caminho inverso e realizou um espetáculo bonito e poético, mas não menos divertido.

L'Atzar é construído a partir de três quadros: uma faxineira, uma mãe e uma artista. Em cada um deles, Pepa Plana se usa de uma característica diferente. No primeiro investe na repetição, depois em gags visuais e, por fim, em truques de mágica. Apesar de todos os três possuírem seu charme, o segundo quadro, da mãe, é de longe o mais interessante. Nele, a palhaça se utiliza com maestria de um humor super inocente e meigo para levar o público ao delírio. Sem jamais apelar para recursos ofensivos ou palavras de baixo calão, Pepa diverte e interage com a platéia na medida certa.

Em tempos que o humor televisivo brasileiro anda tão em crise, seja por baixarias gratuitas ou textos apelativos, a Cataluña nos envia um belo exemplar de inocência, poesia e diversão. A falta do politicamente incorreto ou de pombos mortos não tira a qualidade do humor de Pepa Plana. Pelo contrário, o enriquece. Os aplausos são a maior prova.

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