terça-feira, 6 de dezembro de 2011

DIA 01 - Sobrevivemos!

Teatro de Anônimo. Foto por: Celso Pereira.
Após o primeiro dia de Anjos, uma certa ressaca da confraternização de ‘começou de novo!’ no fim de noite. Quanta gente que não via há tempos. Aliás, quanta gente que não lembro o nome (mas o sorriso), e que só encontro aqui no Anjos! Velhos - sempre novos - conhecidos!

O primeiro dia foi de programação light, degustada, para abrir o apetite. Pela manhã, oficinas à preço de banana com bambambans da palhaçaria (parece que foi tão bom que até a tv apareceu ‘em peso’ para registrar o momento - bem, como se isso contasse realmente alguma coisa).

Mesa Palhaço: Ofício, ferramentas.
Foto: Celso Pereira.
À tarde, 4 horas (QUATRO!) de papo sério. Papo sério num festival de palhaços? Em dia de praia? Essa é boa... séria foi a primeira apresentação, com uma análise pseudo-compreensível sobre psicologia (e um finalzinho sobre ‘riso’, recebido bocejadamente). Uma certa preguiça de ver o que vinha então, que muito felizmente satisfez a espectativa: o pessoal estava afiado e engajado com a discussão que, de tão boa, rendeu até o perdão ao Luciano Draeta que chegou dirigindo (fusca?) de São Paulo já no final da mesa. Mas chegou para fechar bonito, num relato entusiasta sobre a arte circense. Também rolou uma ode da Ana Carolina Sauwen, exímia engolidora de mãos (diz ela), ao querido Avner que não está aqui esse ano (pelo menos não fisicamente, pois seu nome ressoa em todas as rodinhas). E uma discussão atual-passada-futura-repetida-mas-renovada sobre a participação das mulheres na palhaçaria, com novas reflexões e sensibilidades promovida pela Mariana Rabelo.

Pois é, papo sério com público atento, que não arredou pé (ou bunda) das duras cadeiras de madeira. Mesmo não tendo lanchinho no intervalo! Mesmo com a tirania dos mediadores, provocando os instintos ocultos da multidão (ué, esse espetáculo não era a noite?).

Depois do intervalo, entrevista aberta com Pepa Plana da espanha e o argentino Palhaço Tomate, aqueeeele, dos balões. Em portunhol de primeira qualidade, com direitos a ãhns e uhns; mas no final todos entenderam - o que bem quiseram. Duas histórias vivas: Pepa de uma doçura incrível, sinceridade bonita daquelas que se permite assumir não entender de espetáculos de rua. Mas como entende do que faz. Já o Tomate (ou Victor Tomate Avalos, aos que preferirem), palhaço de rua, escrachado, brincalhão: seu primeiro espetáculo foi numa praça para um grupo de crianças com Síndrome de Down - existe sensibilidade atrás de tantas brincadeiras. Aliás, essa é a versão curta de como começou, a longa ainda estamos esperando. Não deixava o microfone em paz e distraia o público enquanto o João tentava se entender com o computador. Não adianta, João, eles sempre vencem no final.

Tiveram pequenas atrações que serviram como ‘descompressores’, como um parabéns aos 10 anos de encontro, em coro animadíssimo da platéia cheia (pena que o bolo era de papel) e o lançamento da revista Anjos 9, dessa vez sem feridos.

Leo Bassi.
Foto: Celso Pereira.
Com dor de cabeça, saímos felizes dessa tarde conversativa (hoje tem mais as 14h, mmm) para um jantar rapidinho e então: Leo Bassi!! Casa cheia, olhos cheio, peitos cheios, verdadeiros pombos! O Leo, aquele senhor sexagenário de físico inigualável (de cuequinha, mmm), mais uma vez dominou o público com maestria. Dominou mesmo, nos manteve reféns do seu movimento, da sua lábia. Conquistou não pela graça, pela doçura convencional, pelo riso fácil - mas pelo riso sarcástico, pelo riso de ‘culo stretto’, pelo medo. Apesar de jogar água, aquela bebida terrível Zero, querosene, restos de maçã, melancias (?!) na platéia, NINGUÉM teve coragem de arredar o pé. Vai que é flagrado no caminho até a saída... melhor não correr o risco de ficar com as mãos atadas para sempre. Assustadoramente belo e encantador bufão.

Quem não foi, perdeu! Veja as fotos, finja que entende e pense duas vezes antes de faltar de novo durante o resto da programação. Quem foi, envie sua versão da história para anjos@anjosdopicadeiro.com.br. Nos vemos por aí!

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