segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Resumos - 1o dia de seminário

Segue o resumo enviado aos participantes para que mais se junte ao apanhado do 1o dia de seminário. Interessante notar os caminhos que as falas tomaram, pra dar aquela dimensão sublime de como é vasto o assunto...não sei se já estava disponivel no blog, mas de qualquer maneira fica aí na sequencia pra quem tava acompanhando.

riso sempre
fláviO louzaS


Resumos:

A desconstrução da cena cômica: o absurdo cômico e o estado onírico no trabalho do clown
Elaine Nascimento

Na obra de Henri Bergson, filósofo francês que tem um estudo sobre o riso chamado: “O Riso: Ensaio Sobre a Significação da Comicidade”, e
ncontramos um rápido comentário sobre a lógica particular da personagem cômica, uma lógica que ele intitula como absurda. Segundo o autor, esse absurdo é da mesma ordem do absurdo dos sonhos, do ilógico e do irreal, rimos daquilo que sabemos não ser real, mas que poderia ser executado no sonho. Mas como desenvolver uma cena cômica baseada no absurdo e no universo onírico, partindo dos conceitos de Bergson? A partir dessa pergunta central, procuro desenvolver uma pesquisa de ordem prática, utilizando o clown como objeto, mais precisamente o Núcleo de Palhaçada do grupo cRISe. A escolha pelo clown se deu devido ao trabalho de pesquisa que já vinha sendo desenvolvido sobre o clown pessoal, construção do clown que parte do íntimo de cada ator, adotada pelo grupo LUME de São Paulo. Adoto também, para o desenvolvimento da pesquisa, o universo onírico para a construção da cena, pautada na abordagem do pós-dramático e nos estudos de Bergson.

A performance do Palhaço, o palhaço da performance
Sérgio Khair

A partir de conceitos de Mário Bolognesi, no que toca o Palhaço, há a busca de aproximar esta linguagem à da performance. Para isso as visões de Renato Koen e Roselee Goldsberg se fazem necessárias, mas o elo entre estas duas linguagens, a liga, está no clown. Citando então o saudoso Burnier, será apresentada a ideia e a obra inacabada A performance do Palhaço, o palhaço da performance.


CIRCONTEÚDO + patrimônio do Pindorama Circus
Erminia Silva

Circonteúdo é o terceiro projeto de parceria entre Erminia Silva e Marcelo Meniquelli. A proposta, desta vez, é criar um lugar na web especialmente para o circo. O projeto já nasce com um conteúdo respeitável, nele está incluso todo o banco de dados do site Pindorama Circus (primeiro site do gênero no Brasil), que passa a fazer parte como patrimônio histórico.

O site pretende ser um espaço colaborativo e democrático de informações, pesquisa e divulgação das artes circenses, ampliando de forma dinâmica a construção de um banco de dados, através de levantamento, produção das histórias, memórias e saberes do circo no Brasil e na América Latina, pois nossas histórias se cruzaram e cruzam muito mais do que se imagina ou é pesquisado. Lançando mão do título do texto de Izabel Gurgel, jornalista e diretora do Teatro José de Alencar de Fortaleza (CE), uma de nossas Colunistas, Mundos misturados, essa é a principal meta que esperamos que o site transmita, pois consideramos que a linguagem circense é a expressão máxima do encontro de muitos mundos artísticos em todos os período históricos.


Em busca do palhaço essencial (uma experiência pessoal e intransferível)
Marcelo Beré - Circo Teatro Udi Grudi

Todo mundo nasce nu. Dizer que todo mundo nasce palhaço seria o mesmo que dizer que todos nascem artistas e mudam ou são mudados pelas circunstâncias, perdendo o contato com o criador interno. Acredito que exista um trinômio que ajuda a entender a questão: criança, criatura e criador. A criatura que cria como criança é a personificação do criador. Quando se é criança, a liberdade de criar é imensa. A criação faz parte de tudo, estamos mais perto do criador. A criatura que não cria se afasta da sua criança e do criador em si. Falta um elemento mágico nesse trinômio. Qual o caminho que desperta a criança interna e faz a criatura se aproximar do criador? Algo que detone o gatilho da criatividade. Chamem os palhaços!


Jogos de poder – palhaço, o mestre ignorante
Flávio Louzas Rocha

Trata-se de uma breve abordagem sobre considerações de alguns dos filósofos da Escola de Frankfurt, redesenhando o histórico da crença no poder estatal, a situação permanente de guerra em que nos encontramos e algumas possibilidades de exercício de liberdade. Como propõe o tema, Espiral de Influências, passaremos pelo ponto já abordado em 2006 em mesa-redonda cheia de controversias, a fim de retomar a questão palhaço e poder. Trataremos a filosofia social embebida no materialismo histórico de Marx ou nos princípios de individuação, cultivo de si e devir de Nietzsche, como fonte rica para o trabalho de palhaços curiosos sobre os mecanismos do pensamento para suas cenas e para a vida de todo dia, como artistas.


Juju e Rôro - cena e improvisação: questões sobre a relação entre palhaço e público
Coroline Holanda

O objetivo desse trabalho é elencar alguns elementos oriundos de uma experiência cênica (Juju e Rôro) cuja participação do público ocorre como atuante na cena. A improvisação, sendo uma marca fundamental deste espetáculo, evidencia questões acerca da relação entre palhaço e o público e, nesse sentido, entre fracassos e conquistas, entre experiências, reflexões e novas ações. É nesse intuito que me proponho a tecer considerações iniciais centradas na relação entre o palhaço e o público a partir do contexto das experiências antes apontadas.



No me toque las narizes: Soccorro! Não às pedagogias opressoras com nariz vermelho!
Lau Santos

A comunicação tem como finalidade fazer uma reflexão sobre as estratégias didáticas utilizadas no ensino da arte clownesca. A constatação que o “ser clown” virou uma moda tem contribuído com a aparição de um número cada dia maior de “professores” e formas pedagógicas das mais variadas. Para Jacques Lecoq, um dos primeiros homens de teatro a pensar uma pedagogia para ensinar à arte clownesca, a criação de um clown consiste na capacidade do ator transformar suas fragilidades (físicas e emocionais) em força cênica. Pois bem, acreditamos que é exatamente neste ponto que aparecem as maiores confusões de ordem pedagógica. Entre muitas das estratégias didáticas, está a baseada na tortura psicológica do aprendiz para atingir “o ridículo” necessário para a descoberta do seu próprio clown, trazendo sequelas traumáticas devastadoras que fazem com que perca a crença em seu potencial criativo.


O improvisador, o palhaço e o palhaço-improvisador: a experiência do espetáculo Jogando no Quintal

Thaís Carvalho Hércules

Desde o ano de 2001 o grupo paulistano Cia. do Quintal tem desenvolvido um dos projetos precursores no país de improvisação como espetáculo. Em seu primeiro trabalho, Jogando no Quintal, a improvisação surge associada à linguagem do palhaço. Esta pesquisa tem por objetivo avaliar se há de fato uma união entre as figuras do improvisador e do palhaço. Para tanto é necessário avaliar as influências que contribuíram diretamente para a experiência do Jogando no Quintal (como o trabalho do Doutores da Alegria e as companhias latino-americanas de improvisação), o desenvolvimento do espetáculo ao longo de oito anos de apresentações que apontaram para uma pesquisa direcionada na improvisação sem abrir mão do elemento cômico, visto nos trabalhos mais recentes da companhia que são Caleidoscópio e O Mágico de Nós.


O processo criativo do ator para espetáculos de stand-up comedy com personagem
Malcon Bauer

O espetáculo de stand-up comedy com personagem "Teatro de Quinta" estreou em Florianópolis em setembro de 2004 e transformou-se numa das principais referências para a comédia realizada na região. Nestes cinco anos, cada ator de seu elenco criou diversos personagens para esquetes curtas executadas diante de um microfone. O objetivo desta pesquisa é documentar o processo de criação de um novo grupo de personagens, e observar como cada ator utiliza as referências de seu universo particular na busca do riso e pela empatia com o público. A pesquisa busca estabelecer, desta forma, parâmetros metodológicos que auxiliem o processo criativo de atores interessados neste tipo de processo e neste formato popular de espetáculo cômico.


Palhaçar: por uma poética de acontecimento e alegria trágica
Luciane Olendzki

Palhaçar – um verbo que não se conjuga, pois que excede qualquer pronome ou sujeito de ação (eu, tu, ele, nós, etc.). Palhaçar, um acontecimento que excede o próprio palhaço e o seu ato cênico em apresentação, que não é apenas o que acontece, mas que se dá e se expressa no que acontece. E assim, faz resplandecer um campo efusivo de forças, de contágio e ações incorporais que nos envolve e se tornam geradoras de extrema potência. Um acontecimento que congrega e aniquila, via uma poética produtora de alegria. Uma poética patética do palhaço, do phatos, das paixões, no jogo e abertura de afetar e ser afetado. A trágica e muito alegre patética do riso, no exercício de um ofício e de uma poética cênica que além de artística é de afirmação da vida pelo palhaço com o público.


Pelo vigor do palhaço
Juliana Dorneles

Esta comunicação trata da arte do palhaço naquilo em que a arte pode acordar algo de morto no vivo. Trata também do apreço que a cultura contemporânea nutre pelo riso e pelo humorismo no século XXI. Para isso, construímos nosso signo de arte no palhaço com a ajuda da teoria dos signos em Deleuze & Guattari, bem como da observação de espetáculos, cenas e acontecimentos cômicos de palhaços, além da própria experiência da pesquisadora com a linguagem. O humor do palhaço se faz na quebra com as expectativas, na trapaça aos planos de referência e aos planos habituais, e na coragem de se expor ao fracasso e à desilusão. A demanada da sociedade humorística, com seu culto ao humor de azeitamento das relaçoes sociais e evitação de conflitos, é uma armadilha para o palhaço, cuja arte de provocação do risível nem sempre vai ao encontro deste tipo de demanda por alívio e azeitamento.


Teatro Biriba - 40 anos de circo-teatro catarinense através das lentes do documentário
Glaucia Grígolo e Renato Turnês

A pesquisa utiliza os recursos da linguagem audiovisual para registrar, discutir e divulgar, no formato do documentário, a experiência de 40 anos do Teatro Biriba, a mais representativa companhia de teatro popular de Santa Catarina.

Fundada por Geraldo Passos, o palhaço Biriba, em Tangará no ano de 1970, a companhia de circo-teatro é hoje composta por duas companhias-irmãs: uma administrada por Geraldo Passos Jr., o Biriba, e outra administrada por Cidinha Passos, irmã de Geraldinho e mãe de Franco Adriano, o palhaço Biribinha.


Uma palhaça entre mundos miúdos
Genifer Gerhardt

Uma palhaça entre mundos miúdos: circulação de espetáculos de rua e trocas em povoados de até 10 mil habitantes é um projeto que inclui duas encenações:"RE-BOLANDO COM A GRINGA ERRANTE" e "MUNDO MIÚDO - teatro de animação" com apresentações em pequenos povoados. Os locais de atuação, selecionados durante o percurso, estarão no trajeto Salvador/Bahia – Santa Cruz do Sul/Rio Grande do Sul, onde, através da aproximação pelos espetáculos, propõe-se trocas culturais com os habitantes das respectivas regiões. A proposta é unir dois pensamentos: levar o teatro, a palhaça e o teatro de animação para cidades com habitantes que se supõe não possuir acesso a esse tipo de atividade artística e, ao trocar conhecimentos com essas pessoas, se confrontar enquanto artista, palhaça/bonequeira e pesquisadora e divulgar, posteriormente, parte da cultura de cada região. Para o seminário, assim, propõe-se discutir as problemáticas e descobertas relacionadas a este percurso cênico e (inter)pessoal.

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