quarta-feira, 25 de novembro de 2009

resposta de marcio libar a clarissa ayres:

amigos,
como estamos com um probleminha de configuração de texto e não consigo colocar a resposta que marcio libar elaborou para uma fala de clarissa ayres (publicado alguns posts atrás... aqui), resolvi, ao invés de transcrevê-lo na janela de comentários, colocar seu textinho no corpo do blog. é isso.

mafra

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Cara Clarissa
Vamos começar assim: Antes de mais nada, quero deixar claro, que desde 2004 eu não pertenço mais ao grupo Teatro de Anônimo e muito menos da organização do Anjos do Picadeiro. Portanto, sinto-me isento de toda e qualquer critica voltada para a organização de mesas, convidados, programação e etc.
Mas vamos lá. Quem me conhece, sabe o quanto fã eu sou do universo acadêmico e do respeito que tenho por aqueles que ocupam esse lugar. Vale registrar que eu adorei o pouco que vi e ouvi (estava deitado o camarim) da mesa de ontem. Achei muito alto e generoso o nivel das contribuições. Cheguei a comentar com a curadora Ieda Magri, o quanto valiosa a essa presença academica na mesa. Menos artistas, mais pensadores. Um acerto.
Uma das preocupações que tive ao escrever meu livro "A Nobre Arte do Palhaço" (Dizem que é bom. Eu recomendo) eu tentei apenas ser contador de historias, pois ao fazer isto eu estaria colocando a história vivenciada a disposição de estudiosos de diversas áreas para que pudessem recorrer como fonte, utilizando-a contra ou a favor de sua tese. Quando digo que certas coisas são para os cientistas, estou me referindo a isso.
Sempre fui um ferrenho defensor do espaço da reflexão e da construção do pensamento dentro do Anjos do Picadeiro. São varias revistas, cadernos, videos, blog, além das mesas onde o proprio Véu foi integrante. Não sei de onde tiraste a idéia de que alguem pudesse querer inviabilizar o debate. Teorias da Conspiração? Agora os organizadores dos Anjos querem matar os acadêmicos que eles proprios convidam e posteriormente publicam? Oxi.
Eu não faço afirmação sobre arte autonoma ou sobre este ou aquele tipo de arte. Eu falo da arte que eu faço, do que ponho nos meus espetáculos, cenas, numeros, do que tento passar nas minhas oficinas e no meu livro. Seria o conhecimento por mim produzido como artista, alienantes ou alienados? Não é o que obtenho de retorno da maioria do publico que entra em contato com ele.
Até aceito que você a considere meu conteudo "vendido ao sistema" como uma espécie de "Maquina Teresa de Calcular". Talvez você como defensora dos "frascos e comprimidos" esteja realmente certa e os demais (inclusive varios seguidores desse blog) estejam totalmente equivocados. Mas tudo bem, o ingênuo aqui sou eu e você o supra sumo da experiência revolucionaria.
Olha que louco quando eu falo de teorias conspiratórias... Eu apenas quis garantir o direito a liberdade como artista pra você atribuir a mim os seguintes pensamentos: "a primeira afirmação que faz Libar impunimente é a respeito da arte autonoma, para os que nao entendem, trata-se de uma defesa da arte pela arte,o que nos dias de hoje, obriga-nos a legitimar a novela da globo como arte, o calipso como boa musica e ainda O zorra total como modelo de comedia a ser seguido e ovacionado." Onde você me ouviu dizer isso? Você realmente acredita que eu sou defensor destes modelos? Você chegou a toda essa concusão só porque numa frase eu quis garantir o meu fazer artístico? Sem contar que o "para os que nao entendem" é de uma arrogância estupenda.
Impressiona a facilidade com que você e Véu (Flavio Lousas) escolhem o alvo e tentam demoniza-lo atribuindo falas, praticas e pensamentos a pessoas que conhecem tão pouco. Ao ponto de você atribuir a mim, a partir de minha fala o fato de eu criar uma fronteira inimiga entre arte e acedemia. Onde, em que linha, em que frase eu afirmei isso?
Façamos o seguinte: Eu aceito ser o ingenuo, o tonto, o burro, não aceito apenas o título de censor (não censurador como você escreveu) pois luto pela liberdade em mim da mesma forma que lutaria pela sua liberdade. Se quiseres fazer alguma critica a censura seja no blog, ao seminario, faça ao grupo organizador, a curadoria. Pois eu estava na minha até me ver citado da mesma forma indelicada e pouco gentil com que se referiu a mim até agora.
Gosto da indignação e da raiva transformadora da juventude. Ha 15 anos atras, meus alvos preferidos eram Amir Haddad, Augusto Boal, Aderbal Freire, era neles que eu batia nos debates e palestras. Eu dizia que eles eram representantes dopoder instituído. Eles vendiam mais espetaculos, levavam mais vebas. Com o tempo passei a entender a importancia deles no processo de construção do teatro brasileiro.
Eu achava que eles eram vendidos pro sistema e no entanto vi Boal morrer fudido. Duro e doente. Vi que nenhum deles enriqueceu e que se não fosse o eterno confronto que travam com o poder publico, para garantir espaço e verba para trabalharem não conseguiriam, criar, enfim trabalhar sequer pra comprar remedio e viver um pouco mais com o minimo de dignidade. Pergunte se não é a mesma coisa que vocês querem.
Uma vez, ao ser provocado por mim num debate o Amir me respondeu assim: "Marcio eu não sou "o velho" e você "o novo". Eu sou jovem a mais tempo que você, só isso... A diferença é que na sua idade eu contribuia com o mundo como um jovem de vinte e poucos anos, com minha verve, minha veemência e agora eu contribuo desta forma, como um homem de 50 e poucos anos." E concluiu assim: "O desafio é: Eu sobrevivi até agora com a minha arte e você sobreviverá até aqui com a sua". Ele foi ovacionado e eu sorri.

Então, o que quero dizer é: Sigam assim, você e seu parceiro de ideologia e filosofia de vida, provocando, batendo e até ofendendo. Mas por favor, me errem!... Promovam-se falando seus feitos e façanhas, não chutem cachorro morto, não gastem bala com defunto, não me dêem esse cartaz todo. Eu não sou o responsavel pelo não sucesso de vocês. Adoraria até ajudá-los com alguns contatos no Rio, como certa vez o próprio Flavio "Véu" Lousas me pediu e na ocasião nada pude fazer. Uai sô! Mas porque ele procuraria ajuda de um artista VENDIDO ao sucesso? Agora fiquei curioso.
Para terminar, acho que não fica bem pra uma mulher dizer que um homem "não tem colhões" para encarar. Pois se um homem se dirigisse a mim dessa forma eu entenderia que está me chamando pra porrada. Tenho 43 anos e se você não me respeita como artista, por favor me respeite como homem. Nessa idade um homem ainda não está brocha, mas se cansa mais rapido e eu cansei de vocês.
Se querem criticar a organização apontem suas armas para eles. Mas se a parada é comigo eu aceito a peleja, mas agora só no tete a tete, numa mesa aberta ao publico seria ótimo, pois sou artista e gosto de bom espetaculo.
Meus respeitos
Marcio Libar

Um comentário:

Véu disse...

Então assim que se esgota o papo?
Minha resposta está esperando o espaço prometido...e por favor, publiquem as 3 na sequencia, que esse negócio de edição é mais pra miguelar video mesmo...texto a internet comporta, é só copiar e colar, né?
qUEM quiser papear mais prolongadamente, visite www.veuatelierteatral.blogspot.com
não vamos deletar nenhuma postagem, como aconteceu aqui.

Riso alegre a todos