quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Prato cheio para clowns

Palhaços / Anjos do Picadeiro
nasceu numa Kombi
indo para Campinas
Tiago Gonçalves
De Florianópolis para
o Caderno C do Correio
Popular

Tomar café ao lado de João Carlos Artigos, o coordenador do Anjos do Picadeiro, é uma prática e tanto para tentar compreender o cerne dessa ‘clownferência’. Numa cumbuca, ele despeja o abacaxi, que pode até representar a acidez do humor de alguns palhaços convidados. A granola é rígida, como a tradição de muitas famílias de circo-teatro participantes, já as uvas passas, simbolizam a doçura dos clowns de primeira viagem. Para envolver tudo isso, derrama o iogurte. De castanha, é claro. Rico em nutrientes, o líquido seria a poção quase mágica para unir todas as facetas dessa grande palhaçaria.

No trajeto entre uma colherada e outra da refeição matinal, João Carlos, o intérprete do palhaço Seo Flô; apura a memória para se encontrar novamente, ao lado dos atores da trupe Teatro de Anônimo (RJ), numa Kombi rumo a Campinas. Naquele espaço espremido, na década de 90, tudo nascia. “A gente estava em temporada em São Paulo e resolvemos nos encontrar com o Lume Teatro. No caminho, surgiu a conversa: O que vamos fazer para comemorar os dez anos do grupo?”, lembra o ator. Um espetáculo só não bastava. A trupe queria mais. “Foi então que resolvemos reunir alguns amigos num encontro para discutirmos o palhaço mais profundamente.”
O Anjos começou pequenino, em 1996, no Rio de Janeiro. No quintal de casa, como diz João Carlos. E os amigos estavam lá: Lume Teatro, Parlapatões, Luiz Carlos Vasconcelos, o palhaço Xuxu; entre outros. Do quintal, ganharam a vizinhança. “Constatamos naquela iniciativa que havia uma grande demanda. Não só nacional, como também internacional. Isso nos surpreendeu”. Não pararam. Antes de devorar o queijo branco, que escuta toda a conversa sobre um pão integral, o ator comenta a origem do nome, que o incomodou. “De começo, não gostei muito. Anjos do Picadeiro parecia muito cristão. Mas ficou”.

De lá para cá, o Anjos tem conquistado as alturas. Além do Rio de Janeiro, esse ‘clownselho’ (começou bienal e, desde 2006, passou a ser anual) aportou em São José do Rio Preto, São Paulo, Salvador e, em 2009, Florianópolis. Tem se tornado cada vez mais uma referência quando o assunto é palhaçada de forma séria. “O Anjos é um marco na palhaçaria nacional e até internacional. Ele foi o grande responsável por influenciar festivais, como o de Londrina e Ouro Preto, e outros fora do País; a olharem com mais atenção o palhaço.” Ao assumir tal postura, mudou a forma de se pensar (e também trabalhar) a figura do clown. “Trazemos à luz reflexões sobre o palhaço impossíveis de se imaginar antigamente.”

Em oito anos de Anjos, ícones da clowneria brasileira, como também da internacional desfilaram pelo evento. A lista é grande, mas vão alguns nomes: os italianos Leo Bassi, Nani e Leris Colombaioni, o espanhol Tortell Poltrona e o norte americano Avner Eisenberg. Quanto ao momento mais significativo desses anos todos, João Artigos não consegue eleger um. Cita alguns, como a última cena protagonizada por Nani Colombaioni. Num ginásio para 800 pessoas, em São José do Rio Preto (1998), o velho clown executou um número clássico de picadeiro, o Spaghetti. “Depois de um tempo ele adoeceu e veio a falecer. Foi muito emocionante vê-lo ali.”
A fim de ilustrar as participações dos grupos radicados em Campinas em todas as edições do Anjos, João Artigos toma emprestado uma frase dita por Lily Curcio do Seres de Luz Teatro: Barão Geraldo é o local que tem mais clowns por metro quadrado. “Não considero Lume Teatro, Seres de Luz, Barracão Teatro, e os palhaços Diego Baffi e Adelvane Néia como convidados, mas sócios do Anjos. São grandes parceiros.”

Ieda Magri

Um comentário:

Anônimo disse...

Anjos do picadeiro, estão faltando conhecer a dupla de palhaços do RN, OS PALHAÇOS ESPAGUETE E FERRUGEM, nem sei o porque de não terem sido convidados ainda, será que foi falta de informação que existia esses palhaços no Brasil? Bem a Adelvane conhece bem, já que ela fala que o Nil Moura(o palhaço espaguete) é um mestre...já trabalharam durante 15 anos na europa em grandes circos, e em Natal RN craiaram a primeira escola de circo e tem o Circo Grock que é diferente de todos que já vi...pesquise no google quem é o Nil Moura que vocês vão entender o porque que acho incrivel eles não terem sido convidados ainda pra esse festival...Bem deixo essa dica.
abraço.