quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Encontro com a Tradição das Pequenas Platéias



No dia 24 de novembro, na mesa do “Encontro com a Tradição”, o Palhaço Bebé concluiu sua fala com uma breve referência às ocasiões em que ele entrou em cena e deparou-se com uma audiência formada por poucas pessoas e à dificuldade e satisfação em levar pequenas platéias ao riso.
Esta fala me remeteu a uma breve reflexão que tinha feito esses dias a respeito das apresentações na extensão pré-Anjos-floripanos. Naquela ocasião eu estava tentando pensar no meu segundo texto para o blog e me perguntando, em suma, o que me perguntar, ou seja, quais as questões que ficavam dessas apresentações que mereciam ser compartilhadas?
Conversando com outros artistas que também se embrenharam no interior de Santa Catarina atrás de olhos de outras municipalidades, ouvi com certa freqüência uma observação meio ressabiada da baixa quantidade de público encontrado. Realidade esta também vivenciada pelas apresentações das quais fiz a técnica.
De fato, tivemos na extensão a oportunidade de encontro com públicos que, em geral, não temos oportunidade nem recursos para visitar. E isso constrói grandes expectativas: quem serão esses distantes olhos? Quão sedentos estarão eles por este encontro finalmente concretizado?
Quando a cena se iniciava com um público reduzido, nossa sensação era de que, infelizmente, uma oportunidade maior estava sendo perdida. Mas era só a cena começar para ver que aquela ocasião nos dava a rara oportunidade de encontro com pessoas ali dispostas a encontrar o inusitado, pessoas que trouxeram seu universo de referências outras à possibilidade de encontro com o novo. E logo aqueles sorrisos eram muitos e aqueles universos que passávamos a habitar, criavam aspas e transformavam o “pequeno público” em muita gente.
A extensão às cidades do interior é muito bem-vinda ao Anjos do Picadeiro – que dá já tradicionalmente aos artistas a ótima oportunidade de encontrar platéias lotadas de público diversificado e generoso, com olhos que trazem a compartilhada paixão por este ofício, porém, olhos muitas vezes dispostos a de certa forma (re)conhecer, em nosso fazer, um pouco da arte que fazem e que admiram. Faltava-nos talvez um tanto desse olhar pelo novo, olhar que proporciona, no encontro, a oportunidade do artista viver sua arte na intensidade de transformação que seu fazer, enquanto novidade, propõe aos olhos a ele desacostumados.
Os pequenos e inusitados públicos são uma rara oportunidade de (re)fazer nossa arte atentos à individualidade dos encontros em suas diferenças, em seu processo de recriação de nosso fazer artístico em outras subjetividades.
Que bom que tivemos a oportunidade destes pequenos públicos...
Diego Baffi ( <:O)= Felisberto)

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