sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Começou!

Era 19 de novembro de 2009. Eram umas 14 horas. Era já Anjos do Picadeiro 8. Aliás, já é. Deixem então que, a despeito do lugar-comum, reinicie este:

Com um “Viva Anjos do Picadeiro 8!!!” Vivamos esse 8 em sua forma infinita, em sua espiral helicoidal que torna-se oitava, pra lembrar que longos trajetos se fazem de passos.

Bem, como dizia, foi 19 de novembro, eu técnico de um dos doze espetáculos que abriram o Anjos do Picadeiro em sua Extensão (sim, tem extensão pra antes, ué... aliás, nessa vida de palhaços que fazem arte nos teatros, ruas, hospitais e outros meio-ambientes, a gente puxa extensão pra onde precisar).

E se me pus aqui a escrever algumas mal-digitadas linhas, eu que nunca tive a oportunidade de escrever num blog e nem sei muito bem como isso funciona, é por sentir a necessidade de ver esse começo compartilhado e por achar que a apresentação de hoje pode servir de mote para algumas primeiras reflexões.

Primeiro porque hoje foi um dia em que os acasos se fizeram presentes em nossa apresentação. Nem tudo saiu como tínhamos planejado e eu, sinceramente, não consegui lidar bem com o novo. Então fiquei pensando sobre o quanto a gente se apega fácil às boas coisas e vai perdendo uma certa habilidade de construir no caos e na crise, no velho e bom passo que se dá pra não cair de cara no chão. E como isso é fascinante no trabalho de palhaço, essa habilidade que ele preserva de construir a partir do que dá errado. E mais, como isso é fascinante no trabalho do Anônimo que ergue um festival imenso e maravilhoso a cada ano, trabalhando não apesar, mas com todas essas crises mundiais, gripes, tormentas... Porque tudo isso faz parte, e é um pouco por tudo isso que estamos aqui mais uma vez, pra descobrir juntos como palhacear com isso, como fazer com que em algum momento isso tudo “passe a bola” pra gente e a gente possa triangular para o público e construir daí sim, com esse público a possibilidade de outros olhares, outras ações, outros horizontes.

Para mim esse Anjos começa como uma abertura à diferença, um convite à criação com isso que nos foge do controle e o qual, fantasticamente, pode nos levar para o novo... E ao mesmo tempo em que olhamos para a espiral de influências de que fomos “feitos”, por que não olhar às espirais de influências que criamos, aos vazios potentes de criação que estimulamos?

Às mais de 100 crianças que vivenciaram o nosso abre-alas deste Anjos do Picadeiro, digo que, para mim é um privilégio ter começado o anjOito extendendo-me para crianças. Se o desejo de extensão se manifesta agora iconograficamente no nosso oitoitoitoito infinito, as crianças – que, por outrora, somos! – é quem cuidará disso, em nós.

Esse texto mesmo está aqui e aqui ele me foge do controle, aqui ele mais do que trazer certezas, quer ajudar a produzir um vazio de sentidos, um vazio com intensidades de troca.

Que isso, afinal, tem tudo a ver com palhaço, ou não?

Diego Baffi. (<:O)= Felisberto)

2 comentários:

Anônimo disse...

Salve Salve Diego!

Aquele que não sabe bem como se faz escrever em um blog e que abriu este espaço de pensamento, reflexão e tantos desabafos com maestria...relatando um pouco do que já aconteceu pelo interior de santa catarina com as extensões.

A maestria de quem acompanha de longe e sempre que possível de perto os passos dados pelo anônimo e por todos os outros palahços que fazem o anjos do picadeiro.

GAmanhã é o grande dia!!!

Márcia Nunes

Anônimo disse...

Caro Diego,

fui direcionada a seu texto pelo Circonteúdo, de Marcelo e da Ermínia, grande estudiosa do circo. Seu texto encantou-me.
Foi como se eu fizesse parte do respeitável público. Seu olhar de técnico do espetáculo é aguçado. Presenciou a alma do espetáculo.
Viva!
Terezinha Pereira