segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

rimbombam e www para freedom

assisti os dois primeiros espetáculos no oi futuro. o teatro de lá não tem muitos lugares, o que torna os espetáculos muito íntimos. tanto a maku, quanto o esio são crias da rua, e ali, naquele teatro micro os dois ficaram gigantes. belos triunfos.

como me disse a maku algumas horas atrás, quando a entrevistava: "na rua tudo tem que ser grande, pq é preciso lidar com a dispersão das pessoas".
dentro de um teatro, ainda mais naquele teatro, cada micro-gesto é perceptível, como se usássemos lente de aumento, assim como cada hesitação.
aliás, o papo com ela foi bem maneiro. ela tem a consciência do ofício do palhaço, o olhar que sabe desnudar a técnica e decifrá-la, ao mesmo tempo em que é uma pequena canibal, devorando todos os grandes palhaços disponíveis a seu redor, sem perder a ternura (como disse a brunella), transmutando esse universo de hombres no feminino mais poderoso e desnudado de clichês.
a maku está se enraizando cada vez mais em si mesma.
ela é de 1981, galera!
foi lindo vê-la fazer o número do sumiço das mãos na casaca, do george carl, que também deve ter aprendido de outro palhaço, etc. o número parecia feito pra ela. um clássico.
lindo ver a maku transformando o nervosismo de entrar em cena em adrenalina, em fúria!
dá pra notar que ela já manipula um repertório consistente de números, que vai escolhendo a cada apresentação, podendo recuar e avançar se quiser, quando quiser.
vai misturando acrobacia e malabares, malabares e acrobacia. vimos um show de técnica, de quem entende viceralmente do babado, e que está imersa, participando do desenvolvimento destas artes na argentina. ela se lançou na técnica cheia de alma e consciência, não sendo só uma especialista em diversos aparelhos, mas usando-os pra nos fazer rir.
golaço da hermana.
a maku será uma das grandes palhaças... (apesar de não poder ultrapassar mais seus um metro e meio e tal...), os anos serão preciosos, vamos ficar de olho nela!

eu tinha visto o esio num dos anjos passados, num espetáculo no buraco do lume. ele, uma escada e um balde. virtuoso pra caramba naquele dia ele tinha um palhaço pronto, apesar de transmitir uma sensação fresca, algo assim. depois a gente fez um curso com o enrico buonavera com máscaras dell'arte. me lembro do esio, pq tive a certeza que ele tinha alma de arlequim. era nítido, não tinha jeito.
foi com curiosidade que fui assistir o www.para freedom. a primeira imagem é arrebatadora... uma chuva de aviões de papel, por toda parte voando pelas nossas cabeças. pronto. jogo ganho.
aí entrou o palhaço.
caraca, o esio, aquele palhaço novinho, prontinho que vi anos atrás está maturado, assentou, está cheio de marcas do tempo, de muito trabalho sol a sol, a falta de cabelo está assumidaça, aprendeu a dar salto mortal sem rede. o cara é.
assim como a maku, ele é pequenino de estatura, mas me surpreendi com o tamanho dele ali naquele teatro, virou um gigante, ocupando todos os espaços daquele palco e daquela platéia. lindo mesmo.
o espetáculo é cheio de preciosidades francas. a gente vai junto, o público foi junto (e vcs sabem como é o público no anjos né... depois quero escrever sobre isso...).
mas eu tenho que falar um negócio...
pô, esio, deixa esse willi pra lá. nós todos somos seu willi, seu melhor amigo e temos a vantagem de não ser invisível! o willi não cabe nessa história, pq ele te trai. ele faz vc anunciar o que a gente quer descobrir, o willi não deixa vc surpreender, ele te faz avisar que vai comer a vela, que precisa colocar de novo o chapéu, etc.
mas quando teu palhaço sozinho vem pra galera...a mágica se faz...
What a Wonderful World!!!

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