segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

"Estás loca mamá!" diz o filho de Maku Jarrak

Estás loca mamá! Diz o filho de Maku Jarrak e Chacovachi ao ver a mãe sobre os ombros de um de seus espectadores assistentes. De fato, Maku chega ao extremo da relação de um palhaço com um espectador. Nesse extremo não há meio termo, meia altura. Sem aviso prévio ela sobe à segunda altura de um espectador que, muito provavelmente, não domina qualquer técnica ou habilidade circense. Isso tudo sem o menor resquício de hesitação. Maku é definitivamente uma presença pulsante, com um estado de criança arteira vibrando no corpo, curtindo cada gag, cada sarro tirado com os espectadores, cada acrobacia assombrosa que nos abisma. Uma mulher de corpo delicado, que dispensa as palavras, que fabrica sons com sua voz forte e sutil, quando necessária, que flui a todo o tempo esse paradoxo que edifica o palhaço, que costura, com precisão, a dramaturgia que encadeia suas gags e acrobacias. Que costura com precisão tanta, que me faz pensar que poderia camuflar um pouco mais esse agenciamento para não vermos a mão e sim a linha que amarra a costura. A linha nos faz acompanhar o percurso, nos situa. A mão deflagra o intelecto que pré-concebe a costura e nos afasta da degustação de um ato espontâneo. Espontaneidade necessária para que nos entreguemos sem ressalvas ou pudores a fruição da lógica peculiar do palhaço. No entanto o vigor de sua presença, de sua inquieta atitude corporal e a potência de suas acrobacias nos faz terminar o espetáculo abismados com o que acabamos de ver. Sí, niño. Tu mamá es una loca e una gran Payasa!

Filipe Codeço

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