domingo, 7 de dezembro de 2008

Avaliando o Anjos do Picadeiro

Temos hoje uma realidade muito diferente da realidade do primeiro Anjos do Picadeiro. A importância do encontro é inquestionável! Hoje temos aqui uma grande possibilidade de reunião de grupos de muitos lugares do Brasil e do mundo, da aldeia Brasil e da aldeia global. Temos quarenta e seis grupos reunidos, grupos que trabalham e agem fundando um ideário do que é o palhaço para o homem atual. O papel de formação do Anjos, esse híbrido de encontro com festival é, para mim, também inquestionável. Por exemplo, a idéia do intercâmbio, com encontros, conversas e trocas de trabalho, é fundamental. É importante ver outros trabalhos, conhecer outros palhaços em diferentes regiões do país e do mundo, o que seria impossível numa empreitada solitária num espaço e num tempo tão intensos e curtos. Desta forma, o caráter de festival está no DNA do Anjos e acho que não podemos renegar esta herança até porque o caráter de festival é o que dá a possibilidade deste híbrido ser público, com dinheiro público, com patrocínio.

O Anjos, enquanto encontro de artistas deve tocar sim em questões estéticas até porque não podemos falar de ética sem falar de estética. O grande problema, para mim, é esta tentativa, da qual fala o Hugo, de encontrar os fãs ou de definir o palhaço: quem foi o melhor palhaço deste encontro? Quem arrasou e quem fracassou? Qual foi a melhor noite de gala? E a pior? Quem triunfou e quem fracassou? Para mim, estas questões são tão importantes quanto saber se é palhaço ou CROW, ou seja são falsos problemas. Não interessam!!!

Somos palhaços e devemos, num encontro, falarmos de valores, sim!!! Somos a possibilidade de entender a diversidade e conviver com ela. Então por que sempre buscar um modelo? Querer saber se vou ficar de nariz ou se não vou meter o nariz em questões fundamentais de ética e estética?!

Resumindo, pois escrever é difícil, o pensamento vai mais rápido que os dedos: o encontro é muito potente! É feito por convite, é um encontro de família com todos os seus problemas, então, vamos tocar em questões éticas sim. Uma delas para mim, por exemplo, é o atraso dos espetáculos. Estamos formando artistas que aprendem que um atraso de 2 horas é legal??? Como assim? O palhaço se leva a sério sim! Caramba, não é porque o palhaço é um perdedor que temos que pensar que ele gosta de perder. De forma alguma.
João, eu acho que temos que assumir nossa herança híbrida que vem do festival.
Sinceramente, eu duvido que um artista aqui esteja tão desencanado da pontualidade num Sesc. Uai! Somos mais profissionais no Sesc? Estamos, pergunto, eu tão vulneráveis à força do poder econômico, uma vez que o Anjos, como foi dito pelo João na abertura do encontro e é verdadeiro, que só acontece pelo investimento também dos artistas. Quer dizer, já que nós artistas, ganhamos, no Anjos, menos do que ganhamos na iniciativa privada e / ou pública, relaxamos e tratamos o nosso ganha pão, a nossa paixão a nossa força com este desde?
Então, reafirmo a questão: Não estamos vulneráveis a virar grandes Charles (não o Chaplin, mas o Rivel) que era o palhaço de Hitler?

Ésio Magalhães

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