segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Pra esquentar os tambores

Damos aqui uma amostrinha do que logo, logo entrará em funcionamento no Anjos do Picadeiro 7: conversas, espetáculos, rodas de discussões, oficinas, e o que é mais bonito: o encontro entre palhaços de diferentes gerações com sua generosidade em partilhar experiências e vivências. Na entrevista abaixo, atente no poderoso humor do palhaço Trepinha, o mais antigo palhaço em atividade do Ceará, com 78 anos de idade e trabalhando efetivamente no Teatro José de Alencar, em Fortaleza, que conta sua vida e sua arte à Dane de Jade, gestora cultural e coordenadora da fabulosa Mostra SESC Cariri de Teatro, com a alegria e o prazer de uma criança.


- Então Trepinha, como é que veio esse nome, Trepinha?
- É um prazer dar essa entrevista, é uma satisfação vir aqui na Bahia junto com os companheiros nesta integração de palhaços, o Anjos do Picadeiro. A minha situação de palhaço foi um mero acaso. Eu sofri a primeira decepção quando criança, morava numa cidade pequenininha e estudava em outra cidade com o nome de Cajazeira. Um dia, quando voltei de férias meu pai já havia se casado com outra mulher. Quando eu cheguei, fim de ano, e a mamãe, cadê a mamãe? Abracei o pai, aí ele me chamou lá no quarto e disse: sua mãe faleceu e tal. Aí bum! Foi um choque tremendo, senti aquela emoção, senti aquela angústia, mas tomei uma atitude, o circo estava lá, fui pro circo, comecei a gritar palhaço e tal. Em suma o circo viajou, eu arribei de Bonito de Santa Fé e fui pra Cajazeira, cheguei lá de madrugada. Naquela época não tinha esse negócio de menor, não existia isso em 1951. Imagine só, eu tinha doze pra treze anos. Aí me deixaram ficar no circo pra carregar água pros bicho. Achei ótimo: eu tinha almoço, janta, café. Eu botava 20, 30 galões de água e quando terminava eu tomava banho, me arrumava e ia assistir ao espetáculo. Aí o meu olho era no palhaço, tudo que o palhaço fazia eu aprendia rapidamente, tanto é que quando terminava o espetáculo, eles se sentavam lá pra bater um papo e eu ia e fazia a mesma coisa que o palhaço tinha feito. Eles riam que rolavam e diziam: mas que menino inteligente e coisa. Eu novo subia rodando num mastro e descia pelo outro. Aí, do nada adoeceu o palhaço. Matinê, cheio de criança, o dono do circo: rapaz, chama o seu José Gomes, vamos botar ele de palhaço. Aí arranjaram uma roupa, me vestiram, sapato, maquiagem. Essa mesma maquiagem fui eu que fiz com minhas próprias mãos.
- Criação sua, desde aquela época?
- É, é. Aí entrei, me benzi, o mestre de cena disse tenha fé, eu disse fé em Deus, vamos entrar. Aí entramos, me lembro como se fosse hoje, levei o esquete Galo, Galinha e Pinto, três personagens. Uma mulher muito bonita fazia a galinha, o mestre, um rapaz simpático, era o galo e eu era o pintinho, pintinho enxerido sabe? Então, quando começa o galo canta, a galinha co, co, co, o pinto piu, piu, piu. Uma das vezes o galo desceu do poleiro, bateu asa e correu atrás da mamãe. Eu emparreirei com o galo e disse: respeita minha mãe! (E era pra criança né?) Então ele: mamãe eu quero ver é na hora do ovo. Eles riam a vontade, eu ria, eu dava cambalhota e tal. Quando terminou o espetáculo, por incrível que pareça, o dono do circo mandou me chamar e disse que eu ia ficar como palhaço oficial pra criança. Então eu me entrosei com os outros e eles me ensinaram as piadas, as entradas. Naquela época eles levavam a entrada, o palhaço ficava lá fora por detrás do pano e quando o mestre dizia, por exemplo “quando eu estava em Pariiis” eu fazia o eco dele, respondendo de lá “eu também tava láaa.” Ele dizia “lá tinha muito moça bonitinhaaaa” e eu “eu já cansei de ver isso láaa” e ele: “lá tinha muito cabra sem vergonha” aí eu entrava com a minha “eu já tinha saído de láaa”. Era uma risada só. Naquela época as piadas eram assim, eram infantis.
- Assim surgiu o Trepinha?
- Assim surgiu o Trepinha. Mas o nome é outra história. É que o palhaço que adoeceu chamava-se Trepa-Trepa, aí me botaram com diminutivo e colou. Até depois nós inventamos uma comédia, um espetáculo era pra ele e o outro era pra mim: Trepinha casava no sábado e Trepa – Trepa no domingo. Então nós ficamos trabalhando juntos doze anos e tanto.
- E me disseram que o senhor fugiu do circo?- Como é que foi isso?
- Foi o seguinte: quando eu estava no circo a fama correu, aí o dono do circo Garcia mandou o secretário dele me contratar. Naquela época era carteira assinada, mas como eu era de menor não tinha carteira pra assinar. Aí eu ganhava naquele tempo três mil réis e ele botou quinze mil réis! Eu arribei de madrugada, deixei tudo lá e fui embora pro Garcia. No Garcia trabalhei quatro anos. Aí fui crescendo.
- O senhor trabalhou em quantos circos?
- Ah, não me lembro não, não me lembro mais. Só que eu me lembro assim uns oito ou nove circos, mas depois eu trabalhei em muitos circos melhores.
- E durante esse tempo, o senhor ia aprimorando a sua arte?
- Claro.
- E quais foram os palhaços que inspiram o senhor?
- Eu não aprendi em escola não, palhaço não tem escola, palhaço tem o aperfeiçoamento com o outro. A escola do palhaço vem do berço, o estilo aprende-se com o outro palhaço. Na escola aprende tudo bem, porque todas as palhaçadas são uma só. Eu ontem assisti ao espetáculo e teve uma palhaçada, um número da barba completamente diferente, com inovação, foi ótimo. Eles fizeram uma modificação que deu certo, mas palhaçada, trapézio, contorcionismo, mágica, tudo é uma coisa só. Há aperfeiçoamento de um para o outro.
- E qual foi o palhaço que mais lhe inspirou?
- Foi o Tico-Tico, que é um palhaço de Fortaleza. Na verdade, ele se inspirou em mim, ele faz perfeito, ele faz a minha personagem perfeita, a roupa, tudo, a cabeleira. E ele faz questão de dizer.
- E em Fortaleza? Como começou a sua atividade de palhaço?
- Cheguei em Fortaleza, estava trabalhando num circo pequeno, Circo Lara, lá do subúrbio, coberto direitinho. Aí chegou um circo pra Secretaria de Cultura de Fortaleza. Um amigo meu, Clóvis Matias, bom humorista e o Aroldo Serra, que era diretor de teatro nesta época me chamaram e eu fui. Montei o circo. Um ano e pouco, quase dois anos e eu fui nomeado palhaço oficial do teatro, até hoje. Tenho carteira assinada e tudo.
- Durante esse tempo todo o palhaço Trepinha conseguiu viver só com a sua arte?
- Só com a minha arte.
- O senhor nunca fez outra coisa?
- A senhora vai cair pra trás aí.
- Ave Maria.
- É. Lá em casa tem 24 filhos.
- Vixe!
- Mas não é dos outros não, é tudo meu mesmo. Mas não é com uma mulher só, foram três mulheres, a primeira morreu, a outra eu deixei e vivo com essa outra que tem oito filhos.
- É a última essa?
- É. Maria Conceição de Lima.
- E ela está viva?
- Tá viva! Tem um ciúme danado de mim, olhe quem diabo quer um abacate! Mas tem um ciúme danado de mim. Se ela me ver perto da senhora vai dizer que a senhora era minha namorada. É, é.
- E o palhaço Trepinha é danado assim pra ela ter tantos ciúmes?
- Não, não é. Ela tinha que ter, naquele tempo não tinha televisão, né?
- Ah, tá. Então está justificado.
- Bom, mas as coisas são assim mesmo. Eu acho que o palhaço deve procurar se manter na sua linha. Palhaço quando vai trabalhar não bebe, não fuma, não joga, é caseiro, faz as suas obrigações, isso é o que eu digo pros palhaços, siga esta linha que você vai bem. Palhaço deve ser um homem respeitado e respeitar o povo. Saber onde trabalha, saber trabalhar pra criança, saber trabalhar pra adulto. Porque o público é diferente, então trabalhar pra criança não pode ser a mesma coisa de você trabalhar pra adulto. Tem o palhaço bailarino, tem o palhaço mutuca, sabe o que é palhaço mutuca?
- Não.
- Que vive dedurando um e outro. É, chamam de palhaço mutuca aquele que vive dedurando um e outro. Sabe o palhaço que muda de buraco? É aquele que sai de um circo e vai pro outro. Sabe o que é palhaço vira-lata? É palhaço que gosta de mulher demais.
-E qual é o tipo de palhaço do Trepinha?
- Eu era vira-lata. Eu era danado por mulher. Dizem que palhaço rouba mulher, rouba. Mas uma vez eu fui roubado.
-Como?
- Não foi dinheiro não, a mulher me levou. Me levou mesmo. A mulher era bonita demais, a mulher era mais bonita que as mulheres aqui da Bahia, que a mulher da Bahia é bonita, viu? Você vê uma morena daquela é uma morena enxuta, justinha, é direitinho um violão, carga dupla, cano longo...
- Falando em violão, eu ouvi falar que você toca violão? Você conquistava as mulheres tocando violão?
- Eu às vezes bato uma viola, eu até me lembro de uma paródia que eu fiz, é Farinhada. No sertão, pra fazer farinhada tem um forno e a massa vai pra lá, o homem com o rodo fazendo a farinhada, tem um catitu que é uma bolinha de madeira cheia de serrinha ali, e tem um bocado de moça e rapaz raspando a mandioca, raspa mandioca bota no fogo e lava a mandioca. Aí eu fiz uma paródia, e tem outro fazendo beiju e tapioca. Eu vou cantar baixinho só um pedacinho:
“Eu tava na peneira, eu tava peneirando, eu tava na peneira, ela tava me ajudando.
Eu tava trabalhando, eu tava farinhando, eu tava na peneira, ela tava me ajudando.
A farinhada é lá na Serra do Açu, namorei uma cabocla e foi o maior sururu.
A meninada descascava mandioca, ela peneirava a massa, eu alisava a tapioca.
Eu tava trabalhando, eu tava farinhando, eu tava na peneira, ela tava me ajudando.
De madrugada nós ficamos trabalhando, o véio sabendo disso deu no pé e veio andando,
Chegando lá encontrou nós dois de cócoras, ela ainda peneirando e eu lavando a mandioca.
Eu tava trabalhando, eu tava farinhando, eu tava na peneira, ela tava me ajudando.

- Trepinha, me fala um pouco do período que você trabalhou no Circo Nerino.
- Circo Nerino não era um circo não, é uma escola de circo. Nerino não morreu, o circo não morreu, o Nerino vive na alma da gente, circo- escola, era um quartel o circo do Nerino. Na minha época era um quartel de polícia, o artista não saía, não ia beber, não dava escândalo, não brigava, as mulheres eram todas na linha, a gente pra sair precisava pedir permissão, tinha hora pra fazer uma compra e voltava no horário marcado. Quando tocava o sinal na barraca já estava tudo pronto, tudo pintado, as mulheres prontas e aí estava o borderô feito já, entrada, saída, tal. Eles botavam um papel lá e não falavam com ninguém, todo mundo olhava lá e ficava pronto na hora. E era um espetáculo organizado, aprendi muito, é uma escola em si, o Garcia é outra escola.
- E tem alguma técnica que o senhor usa pra montar o palhaço?
- Eu fico na cortina ali, quando anuncia Trepinha eu só faço me benzer, aí, naquela época a gente entrava cantando, hoje não, o palhaço entra a vontade e tal, mas naquela época a gente entrava cantando. “Calu, Calu, quantas pedras tem no seu... vestido azul”? Entrava cantando pra espalhar. A história de circo é longa e a gente guarda com a gente, mas um conselho que eu dou: atenção Anjos do Picadeiro! Vocês que estão ouvindo ou vão ouvir ainda cumpram a determinada hora de seu trabalho, não dêem margem pro público perguntar que horas vai começar. Não. Não atrasa, chegue na hora, se pinte, se ajeite pra entrar na hora, isso é que é o estilo do palhaço que tem a batalha pra ganhar, aí você vence. Nunca mexer com a mulher dos outros, nunca namorar mulher dos outros, isso é muito importante.
- Mas o Trepinha gostava...
- Ah, eu mexia demais! Eu mexia demais. Eu era o cão minha senhora, eu era o cão. Eu me lembro uma vez que eu roubei, roubei uma mulher, só não vou dizer o lugar porque eu roubei uma mulher, a mulher de uma família rica. De madrugada, quando eu estava na outra cidade, chegaram vinte ou trinta caboclos com o pai dela, tudo armado pra me pegar no hotel. E ela tomou a porta da frente e falou: “pai não mata o rapaz, fui eu que roubei ele”. Ele mandou o dono do hotel me tirar por trás, pegar um jipe velho e me levar pra outra cidade. Eu ia morrer. Hoje é uma senhora casada, vive muito bem, e eu falo com ela, mora em Fortaleza. E outros dias, outras peripécias, mas ninguém faça isso pelo amor de Deus porque não precisa, tem tanta namorada, tanta pessoa boa. E circo é uma arte que não vai se acabar: atenção senhores governantes, eu tenho 78 anos de idade, pelo amor de Deus não deixem o circo morrer. Ajudem o circo, ajudem os palhaços, ajudem os artistas, vamos trazer emprego pra esse povo, verba pra esse povo viver a vida porque do jeito que vai...
- Hoje no Ceará você tem uma lona de circo. Fala um pouco dessa lona.
- Essa lona foi a diretora do Teatro José de Alencar, dona Isabel, quem me deu. A dona Isabel é uma pessoa especial pra mim, pessoa do meu coração. Quer dizer, a direção do Teatro deu pra mim e ali é a minha segunda casa.
- E você atua nessa lona hoje?
- Não, agora está parada.
- E quais são as atividades desenvolvidas hoje no circo do palhaço Trepinha lá no Ceará?
- Lá nós fazemos uma programação todo mês. Todo dia 17 de cada mês a gente presta uma homenagem ao Teatro José de Alencar, muitos artistas, é o dia todo, de seis horas da manhã até oito horas da noite, é espetáculo saindo e espetáculo entrando, banda de música, artesanato, é uma festa. E dia de sexta-feira nós temos uma programação no anexo, sexta de música.
- A gente sabe que o Ceará é a terra do humor, existem palhaços que se inspiraram no Trepinha no Ceará?
- Tem. Eu ultimamente estava fazendo aulas de palhaço, dando oficina de palhaço, eu me ria tanto! Tem um sujeito lá que é gordo, ele é gordinho, mas ele tinha uma gana para trabalhar de palhaço, não é que o homem comprou sapato do meu, roupa, luva, cabeleira e ia fazer o curso vestido de palhaço?
- Trepinha, o que você pensa hoje do palhaço brasileiro?
- Os palhaços do Brasil estão evoluindo, eles estão procurando melhorar mais a imagem dos palhaços, não é? Porque há essa integração, vem do Paraguai, vem da Bolívia, vem da Austrália, vêm palhaços de vários países e eles vão conhecendo os estilo uns dos outros. Porque tem palhaço aí muito bom. Eu conheço um palhaço argentino que, ô cabra bom, e é só com aquela lingüiça dando nó, aquelas coisas de papel dando nó, amigo, o que aquele cara faz é um espetáculo, é uma coisa de louco! E eles estão se aprimorando, estão com um estilo mais bonito, roupas mais bonitas. Nós usávamos aquela roupona frouxa, quadriculada, hoje não. Eu sou crítico também. Eu assisti um espetáculo aqui, O sapato do meu tio, eu ri tanto com aquele cara gordinho, o homem é bom, né? É de uma simplicidade monstra, ele trabalha simples, ele senta ali e a gente nota que aquilo é dele, aquele estilo de descascar banana, aquilo é uma coisa fabulosa. A mesma coisa de ontem, vi aquela moça, a Hilary, que coisa maravilhosa aquela moça fez lá. Coisa linda aquilo ali, uma moça sozinha enfrentar quarenta minutos o povo rindo, com aquele estilo dela que Deus lhe deu, ô artista! Ali é uma artista, viu? E a turma do Biribinha? Vai ser palhaço assim na casa do Chico! Coisa louca, aquele cara do chocalho, menino, eu ri muito! Aquele cara com aquela calça pra lá e pra cá, ele é espetacular. Gostei demais. E que Deus os proteja e que os palhaços olhem, porque às vezes também não é só a palhaçada não, é a ginga no picadeiro, é a gesticulação, é a cena, é o jogo de cena que compra o povo. Eu já estou velho, não tenho mais o que dar, mas gosto de ensinar aqueles que não sabem, eu gosto de ensinar.
- E o que o senhor acha desse projeto Anjos do Picadeiro? O senhor acha que é necessário fazer mais esse tipo de projeto?
- Era pra vir mais cedo. Um negócio desses, que Deus, que o Secretário de Cultura, o Prefeito, a Petrobrás, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica ajudem o projeto, que é o maior. Olha, ontem tinha mais de duzentos artistas aí, de circo, mais de duzentos, ora meu Deus, tinha muito mais numa emoção louca, os artistas todos na rua..Isso pra nós é o mesmo que a gente ganhar na esportiva, aquilo é uma inspiração pra todos nós que somos artistas. Quem elaborou este projeto tem uma luz.
- Foi o Teatro de Anônimo.
- Pois é, tem uma luz maravilhosa neles, é muito bem coordenado, tudo bem feito, tudo organizado, tá um primor. Não vou dar oito não, se eu pudesse dar vinte pra programação daqui, eu dava vinte, porque está tudo dentro da normalidade, tá tudo correndo. E hoje é de cinco horas às cinco da manhã, é palhaço como o diabo lá, é artista como o diabo lá...
- Quando o senhor entra em cena, qual é o número que mais gosta de fazer?
- O palhaço é coisa interessante da vida da gente. Eu, por exemplo, trabalho só e a minha especialidade é trabalhar pra criança, eu gosto de trabalhar pra criança porque criança é ingênua, e tem um número que eu gostava muito de fazer. Eu fazia um trem. O trem saia do Crato pra Fortaleza, mas não dá pra eu fazer aqui porque precisa de tablado. A graça do número são os sons que eu faço no tablado. Então, fica pra outra vez.
- E que essa vez venha logo! Muito obrigada Trepinha.
- Eu que agradeço ao Anjos do Picadeiro.

Um comentário:

Turismólogo disse...

reinventando o circo

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