sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

No oito e no oitenta

Penetrando como platéia, surge o encantador clown de olhos e sorrisos sinceros de Ricardo Puccetti. Ele desmonta as regras do próprio teatro e assim atravessa pela platéia e, no público, algumas pessoas têm seu minuto de ridículo exposto. Ele avança e é bem desenvolto neste momento de mostrar-se ao público, de situar o cenário como coadjuvante. Mas há, na diversidade de sua performance, momentos que são interrompidos antes de se dar a chave do entendimento da “piada” e isso é um ponto delicado de se tratar pois acontece algumas vezes no meio do espetáculo. Exemplo disso é o número com o boneco. E assim uma parte do encanto se quebra.
Também há uma fragilidade em alguns momentos da comunicação verbal. Ao dizer que as crianças não têm “capacidade mental” pra entender uma certa palavra, mesmo que não proposital, é um modo violento de expressão.
Então a peça que começou bem e deslizou no meio vai ter um final es-tu-pen-do. Euforia entre pratos quebrados, platéia delirante, música exaltativa. Uau! Parecia com aquelas brincadeiras gostosas onde a gente esquece tudo pra se divertir de corpo e alma.
Dizer que agradou dos oito aos oitenta seria uma extremada gentileza, pois coube ao começo e ao final o melhor de La Scarpeta.

Maria de Souza
Atriz, Palhaça,Mestranda em Artes Cênicas PPGAC-UFBA.

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