domingo, 16 de dezembro de 2007

Leia o texto produzido por Vanda Jacques, da Intrépida Trupe, e de Erminia Silva, nossa blogueira, pesquisadora a partir da entrevista de Erminia

Vanda Jacques fez oficina com Ângela de Castro e agora fala um pouco sobre a experiência:

Estou super feliz de estar no Anjos do Picadeiro. Só a convivência com esta diversidade já é puro alimento. Sempre quis fazer as oficinas e só agora consegui. Ter escolhido a oficina da Ângela de Castro foi bingo!!!
Quero retomar meu aprendizado e me aprofundar nessa arte. Meu trabalho com palhaço é muito intuitivo e tem a ver com as coisas que eu aprendi lá no início da Intrépida, fruto da minha convivência com Xuxu, Dudu e Piru Piru. Este movimento de retorno é uma busca da essência do palhaço que eu vivi.
Eu já conhecia Ângela de Castro antes da Intrépida, mas foi a primeira vez que a gente conviveu mais de perto e foi uma grata surpresa! Como mestra ela é muito dedicada, cria uma atmosfera de acolhimento e cumplicidade e nos prepara muito bem para cada exercício. Isso torna o aprendizado muito confortável. Você sente que tem uma pedagogia construída ali.
Na nossa prática cotidiana não temos uma consciência mais elaborada dos caminhos para atingir o estado do palhaço. Tudo é muito intuitivo. Por exemplo, não tinha idéia de como a qualidade de um olhar faz a diferença: um olhar com curiosidade e amor provoca instantaneamente uma relação de cumplicidade.
Na oficina, a gente aprende diversos exercícios que tratam de como aproximar o palhaço do público. Aprendemos principalmente a perceber a humanidade do palhaço. Ângela de Castro nos mostra que o fato de sermos educados para não errar gera em todos nós um conflito muito grande. Ela reforça sempre que errar é humano e como palhaços somos autorizados a errar!
Uma vez compreendido o sentido do erro, a gente se sente mais a vontade e com muito mais liberdade para errar. Conviver com o erro numa boa, com humor e alegria, é uma situação muito confortável. E qualquer um pode alcançá-la. É muito simples: basta assumir sua própria humanidade.
Para quem faz palhaço, ter consciência disso é muito importante, porque até alcançar o estado de palhaço vive-se esse conflito.
Ter participado dessa oficina e reencontrado a Ângela de Castro reforçou em mim o desejo de seguir investigando sobre o tema.

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