segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

A festa final

Logo após o espetáculo de Leo Bassi, uma chuva fina caiu do céu banhando a última apresentação da mesma forma que o fez no primeiro dia do encontro. Seriam lágrimas de comoção vindas de palhaços celestes? Quem sabe águas de Oxalá a limpar o peso de tanto trabalho daqueles que por sete dias cobriram a capital baiana de Anjos, cuja função talvez seja pairar sobre nós mostrando suas asas em forma de malabares, acrobacias, música, humor, amor.
Numa conversa breve com a Mãe da Carroça dos Mamulengos falamos sobre o sentido que sua arte tem diante de tantos estímulos tecnológicos. Eles sabem que seus descentes hoje trilham ao lado e a eles confia a tarefa de prosseguir. Ela chegou a confessar certa preocupação. Será que eles vão continuar ?
Esse pensamento assombra muito o artista em momentos distintos. O fato é que o elemento de que o Anjos é feito transborda e vivifica até palhaços com cheiro de mofo. Para sintetizar, que Leo Bassi me dê licença, o Anjos do Picadeiro é feito de fé em uma força absoluta, que talvez alguns chamem de Deus, e que se apresenta quando apesar das dores se sobe ao trapézio; mesmo sem aplausos se prossegue o número e se faz do riso o conector de almas.
Quem é Anjo sabe o que isso significa.

Maria de Souza
Atriz, Palhaça,Mestranda em Artes Cênicas PPGAC-UFBA.

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