sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Faixa de Gaza, 12 de dezembro de 2007, Passeio Público-Salvador Bahia.

Vocês disseram que eu podia me sentir à vontade para falar do que quisesse... Então posso??? Lá vai...
Vou começar pela lona. Entendo que a lona é interessante por determinar um espaço físico, ou limitar... mas, vejam bem, se tratando do Passeio Público de Salvador, chega a ser um crime ter a lona. Entendo até que possa chover, mas estamos no nordeste e na Bahia... verão.,. e acho que não vai chover. Como abrigo de chuva realmente é uma opção funcional, mas concordemos, a beleza natural do local, a energia do espaço em si já é muito interessante e convidativa. Sem a lona, acredito que seria mais interessante, contagiante, mais natural.
Aposto numa Faixa de Gaza sem lona e sem arquibancadas! Só os artistas, público, palco, luz, céu, lua e o mar da Bahia de todos os santos, isso com certeza!
Até porque a verdadeira Faixa de Gaza é um território que não é reconhecido internacionalmente como pertencente a um país soberano, assim a nossa Faixa de Gaza deveria também ser livre de delimitações, sem espaço físico determinado. Isso é só uma sugestão.
Falando do todo do espetáculo, assim como a verdadeira Faixa de Gaza, que têm vivido momentos que beiram a anarquia nos últimos dias, a nossa Faixa de Gaza foi um pouco difícil. Até os números apresentados (com raríssimas exceções, como o palhaço Biancorino, o da Jezebel que teve seu momento, o da caixa de fósforos fiat lux, que souberam conquistar), foram difíceis.
E essa é a palavra: conquista! Assim foi o clímax da noite, uma intensa disputa entre o que o público queria ver, ou até onde queria ver. Uma longa conquista... uma luta metafórica entre a vida e a morte! Tirando uns poucos artistas, os outros foram fracos e com pouca expressividade, isso devido a duas coisas: de um lado o público que se tornou um feroz e severo juiz, aos quais os artistas acabaram por se render. Terrível armadilha! E do outro lado, o amadorismo de alguns participantes. Se couber aqui dizer isso, mas não se estende ao coletivo, e quero comentar que ser amador é um processo natural, um caminho até ser profissional, não há nada de errado nisso.
Sabendo disso, a Faixa de Gaza se mostrou para mim, como uma possibilidade de expressão para o artista, e essa possibilidade faz parte de um crescimento e amadurecimento numa prática artística que contextualize as ações apresentadas e representadas e que tenham uma relação dialógica na construção do conhecimento em arte. O fazer do artista em cena, essa é a grande questão. Então não é o que você faz, mas como você faz!
E a Faixa de Gaza teve em sua proposta o escancarar do modo de fazer, isso é muito positivo e enriquecedor. Isso gera um natural processo investigativo que norteia os processos das trocas entre as pessoas! Isso facilita a construção de um alicerce forte pelo artista em sua ascensão no mundo da arte.
Também na Faixa de Gaza aconteceram pequenos freak´s show, bem show de programas de auditório, um perdidos na noite, ou seja lá o que for. Mas o grande lance foi se apresentar, estar exposto, ser visto e pagar seu mico.
E por falar em mico, na verdade a grande atração do show da Faixa de Gaza foi a macaca! O grande lance foi a macaca!!! Sem a macaca nada teria sentido. Dou um salve à macaca e isso contextualiza e reinventa toda a história.
Voltando à anarquia, o público que estava presente foi um público muito difícil. Inquietos e ansiosos desejavam loucamente a macaca. Ocorreram muitas interferências por parte do público e isso atrapalhou alguns artistas, ou os salvou em alguns momentos. As gangs foram re-criadas.
Para falar de intervenções eu sou suspeito, pois gosto de ver o artista dar um jeito, improvisar para não dançar.... Muitos dançaram, e lá vem a macaca...Monga...ou Monka? Mas o público permaneceu até o final! E isso foi muito bom! E quer saber? Tudo foi muito engraçado! Todo mundo riu, riu porque gostou, porque não acreditou no que via, riu! A Faixa de Gaza me lembrou também o muito massa real, “Meia noite se improvisa” que acontecia ali ao ladinho, no teatro Vila Velha! O “Meia noite se improvisa” tinha muito disso. Só o apresentador que era a transformista e artista Bagagerie Spielberg! Famosa aqui em Salvador! Mas o apresentador do Faixa de Gaza também segurou uma boa onda, bateu uma boa bola, e foi peça importante em todo o esquema anárquico. Muito bom!
Lembrem-se, isso tudo que escrevo é uma mera visão de quem assistiu tudo de fora, não briguem comigo, hein!!!! Aqui não faço crítica e sim uma simples visão de um mero espectador. Mas como me deixaram livre para também criticar, tenho uma: o grande problema foi com o som!!! Logo com o som!!! Muitas coisas não funcionaram e muitos números foram desarmados pela falta ou desarticulação entre número e música! Empobreceu... cadê o som, dj?
Salvo por algumas releituras engraçadas, a falta de trilha original me deixa muito inquieto! Os artistas e produtores, devem investir em trilhas originais!!! Um dos aspectos que mais me fascina na música é seu poder de integração de elementos e de características estéticas, condução das ações apresentadas e representadas. Tudo fica mais fácil com uma boa trilha! Essa conexão faltou!!! Mas não nos preocupemos, não, é só aqui que falta.
Tô me sentindo meio mal agora... Tô achando que tô descendo o pau na Faixa de Gaza. Acreditem, não é isso! Rsrsrsrsrs. É só uma provocação, em todos os bons sentidos! Que venham as réplicas! Se o grande lance é cutucar... Cutuco. Mas como diriam os baianos: de boa hein!!! Rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs. Afinal de contas, o grande lance de tudo é podermos rir e nos divertir!

Asé!!!
Juracy

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