quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Entrevista com Chacovachi

Há quanto tempo você faz essa oficina que será realizada no Anjos do Picadeiro?O que é e onde está a base do trabalho que será realizado na oficina?

Há três anos que estou dirigindo essa oficina. A base é a minha própria experiência nas técnicas, a filosofia, a transmissão oral, os exercícios de improvisação e, principalmente, o método do xadrez (desenvolvido no meu site: www.chacovachi.com/taller).

Como você conseguiu organizar os conhecimentos para montar sua oficina? Qual o seu processo de criação e repasse desses conhecimentos?

Como tudo na vida, fazendo. A estrutura a princípio era básica: exercícios de aquecimento, teoria, técnica, jogo e improvisação, tudo nessa ordem. Depois começou a mudar, dependendo do que eu achava na hora. Agora é igual às minhas apresentações: tudo fica em movimento e pronto para improvisar sobre um programa claro: teoria e transmissão oral, estrutura e dramaturgia do espetáculo, partitura física, treinamento de improvisação.E, quanto ao processo para transmitir esse conhecimento aos outros, é o natural: primeiro se faz, depois se descobre o que é que se está fazendo, então isso é analisado e finalmente ensinado. Meu processo levou muito tempo, uns vinte anos. Há pouco tempo que eu comecei a compreender o que eu fazia. Eu não sou professor, sou mestre. O professor pedagógico teve de inventar.

Como você diria que foi e está sendo o seu processo de formação-criação do trabalho? Como você vê o ensino do palhaço e do humor de uma forma geral, hoje?

Meu processo divide-se em duas partes: a primeira muito primitiva, na qual eu aprendi a profissão sem informação. A segunda (abrange os últimos 10 anos) na qual fui influenciado pelos maravilhosos palhaços desse mundo, me conhecendo e me reconhecendo nos seus trabalhos.Eu nunca participei de oficinas, eu estudei teatro cômico, mímica e técnicas de circo. O ensino do humor é muito particular e, principalmente nessas oficinas curtas, o mundo está cheio de iniciados ensinando ao Lecoq e de grandes mestres ensinando seus segredos.

No seu ponto de vista, quais elementos que um aprendiz de palhaço precisa dominar para começar a trabalhar por conta própria e desenvolver o seu trabalho? Existe alguma técnica que seja mais necessária do que outras?

É preciso trabalhar a partir de cada um dos quatro órgãos principais dos artistas:

O coração Sentimento

A cabeça Inteligência

O estômago Dinheiro

Os ovos Porque tem que ter culhões

Os elementos não são muito importantes, as técnicas devem ser aprendidas e depois esquecidas. A técnica mais necessária é saber sobreviver ao fracasso.

Qual grupo de pessoas você espera encontrar nas oficinas? Para você como é feita a relação entre o mestre e o aprendiz? Você como mestre se vê ou se diz aprendiz em alguma coisa na vida?

Eu espero encontrar pessoas comprometidas. A relação mestre-aprendiz é formada a partir do respeito e o amor pela profissão. Eu me considero mestre da profissão e aprendiz de professor.

É possível ensinar alguém a ser palhaço?

É possível guiar, passar experiências e ensinar certas técnicas. Eu ensino as técnicas do palhaço de rua, metade artista, metade safo, as quais reconheço em mim e em muitos outros artistas. Atualmente ser palhaço é como dirigir um avião: tem que somar as horas de vôos.Um palhaço é um ser livre, exagerado nos seus sentimentos e com o simples fim de fazer rir. Agora bem, ter sucesso ou não é outra coisa.O mais importante é desenvolver o poder de comunicação, o poder de projetar o que está dentro sem ser visível (portanto imune) ao olhar superficial.

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