sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Dando nome aos bons

Enfim abriu-se o que já estava aberto e a noite do Anjos no Circo Picolino saudou palco e platéia numa detalhada apresentação daqueles que fazem, daqueles que bancam, daqueles que curtem a arte do circo e do teatro. Os nomes foram ditos; os meios de realizar, ressaltados. Ali muitos tomaram conhecimento de Pinduca, o Sr. Almir Rodolpho Almeida, que com a dignidade que o tempo não apaga, fez seu discurso autobiográfico em tom palhacesco. Parecia impossível detê-lo no seu momento de júbilo.
A platéia foi recebida com pipocas e seguiu-se a festa com a apresentação de Hilary Chaplain: A Life in her Day. Muito habilidosa, a performance da artista é somada a temas como a esperança platônica, os desajustes do corpo, a alegria barata. Surpreende por muitas estratégias que não se esgotam e pela maneira como são abordadas. Um rolo de papel é transformado em véu de noiva, tapete, gravidez e até o próprio bebê, numa manobra de construção bem alinhada ao enredo. E aquele imenso público vai acreditando e participando do universo extraordinário daquela personagem, numa intimidade tão crível que é de se admirar, ao final, que tenha sido apenas um dia a mais.
Momentos depois, o picadeiro foi invadido por criaturas que com ele têm respeitável intimidade. A Turma do Biribinha demonstrou que sabe engendrar humor com talentos diversos. Tendo uma comunicação constante com a platéia, seus números musicais são uma força para fazer vibrar os sentidos e os sentimentos. Há uma direção que coloca cada coisa em seu tempo e dose certos. Um pequeno melodrama surge para incluir o palhaço Lingüiça: em certo momento ele chegou a confundir um segurança do circo que achou que seria um penetra. Ótimo isso!
E Biribinha arrebatou a todos trazendo uma criança para o picadeiro, mas não para adaptá-la a um número e sim evidenciar a beleza do sorriso. Isso comoveu a todos.
Aí apagaram-se as luzes, as pessoas foram se encontrando e confraternizando, mas sabe que dava a impressão de que o show ainda continuava ali com palhaços imaginários que nunca deixam de se apresentar?


Maria de Souza
Atriz, Palhaça,Mestranda em Artes Cênicas PPGAC-UFBA.

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