segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Beleza com Bônus

Quem assistiu a apresentação de Gardi Hutter pode provar de momentos genuínos dessa alegria do simples, do indivíduo que se deixa ver pela chave da fechadura que há no cérebro e que quando se dá conta que está sendo espiado abre a porta por inteiro e te convida: Entra! Só que lá dentro a gente nota que, na verdade, entramos no coração. Isso porque no coração tudo pode, a destruição da lógica que permite uma nova ordem dos sentidos, a recolocação de tudo de volta se assim der vontade.
A estrutura parte da entusiástica leitura de Joana Darc e Outras Grandes Heroínas, numa condução deliciosa de quem se empolga com feitos que cabem em nosso quintal.
É um estágio recuperado da infância. A platéia não ri em espalhafato, mas brota em risos como flores. Quando não ri por fora, ri por dentro. E Gardi parecia sondar a todos com seu olhar guiado pela farta narina que como uma palhaça clássica, tem nela seu farol.

E como prêmio da noite surge o trio Gardi, Leris e Ricardo Pucetti, em homenagem a Nani Colombaioni. A cena continha elementos de alto contraste que combinaram para um excelente humor: figuras mórbidas, alturas gritantes em suas diferenças e ares de um espanto além do comum. Essa sátira ao temível com um pezinho no meio macabro é sempre bem-vinda. Por isso brindemos a eles!

Maria de Souza
Atriz, Palhaça,Mestranda em Artes Cênicas PPGAC-UFBA.

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