quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Final de 2015 ou... A difícil arte de sorrir

Ainda teve de chover no dia da estreia da 13ª edição dos Anjos do Picadeiro! Não faltasse a falta de patrocínio, a falta de interesse de se investir em cultura no Brasil e o ano crítico de uma maneira geral... choveu!
Mas que nada! Há de se pensar uma alternativa! Se a falta de verba não impediu a realização de uma nova edição, não seria a chuva um empecilho... ainda mais porque nossas plantas estão carentes de água, e a cidade precisa ser, de fato, lavada. Simbora, então, para a Fundição Progresso, para onde as rodas de rua foram transferidas. Sob os olhos de uma atenta e generosa plateia, palhaços do Brasil e do mundo fizeram sua mostra, estimulando o caro exercício de sorrir, em tempos tão nebulosos da história humana.
Em seu “discurso” de abertura da nova edição, e já levemente embriagado, João Artigos lembrou que, há 29 anos, um grupo de amigos contrariou os desígnios da sociedade em busca de um sonho. Lembrou da importância da expressão “foda-se”. E lembrou também: o Teatro de Anônimo se deu conta de que eles não eram os únicos a gritarem para o mundo: “foda-se”. Pelo contrário!
Não poderia haver slogan mais emblemático do que: “Eu quero. Eu faço. Eu banco”. A 13ª edição dos Anjos aconteceu pela primeira vez através de financiamento coletivo – uma forma de resistência artística, uma forma de buscar o sorriso escondido na face de cada um de nós, que vive e ama e trabalha com cultura popular, num período de crise econômica, em que a corda arrebenta do lado mais fraco.
O financiamento coletivo fortaleceu assim um ar de família, um ar de encontro entre amigos, pois todos os que estavam presentes colaboraram, em alguma medida, para aquela edição acontecer.

Um luxo foi a distribuição gratuita de caldos para a plateia, inclusive com opção vegetariana (se fosse em qualquer barzinho da Lapa, esses caldos custariam pelo menos uns R$ 20 a porção). Esses palhaços... não sabem fazer dinheiro! Mas sabem cativar amigos. Mas sabem manter a chama acesa de que muitos outros encontros virão!
Fernando Gasparini